Animais têm emoções, revelam estudos

Um estudo recente realizado na Universidade de Bristol mostra que as vacas têm uma forte vida sentimental que inclui emoções como a amizade, o rancor ou a frustração.
Os bovinos são ainda capazes de sentir emoções fortes como dor, medo e até ansiedade – preocupam-se com o futuro. Mas se os criadores lhes proporcionarem condições adequadas, podem mesmo sentir grande felicidade. As descobertas resultaram de estudos em animais de quintas, e descobriram características similares em porcos, cabras, galinhas e outros animais domésticos. Sugerem que estes animais poderão ser de tal forma emocionalmente semelhantes aos humanos que as leis de bem-estar animal deverão ser reformuladas.
Este estudo, coordenado por John Webster, professor de Produção Animal em Bristol e autor do livro “Bem-Estar Animal: a Coxear em Direcção ao Éden” (Animal Welfare: Limping Towards Éden) desmistificou ainda a ideia comummente aceite de que a inteligência está directamente relacionada com a capacidade de sofrer e que os animais, porque têm cérebros mais pequenos, sofrem menos do que os humanos.
Efectivamente, os pesquisadores documentaram como vacas formam, dentro de uma manada, pequenos grupos de amizade com quem passam a maior parte do tempo, muitas vezes lambendo-se e cuidando-se entre si. Também podem não gostar de outras vacas e alimentar rancores durante meses ou anos.
Também a sexualidade das vacas é subestimada pelo homem. No entanto, os pesquisadores qualificam-nas de ninfomaníacas. Segundo Webster as vacas excitam-se quando uma companheira da manada se excita e começa a tentar montar outra.
Esta e outras descobertas foram apresentadas numa conferência científica realizada em Londres, em Março de 2005, e organizada pela Compassion in World Farming.

De acordo com Christine Nicol, professora de Bem-estar Animal na Universidade de Bristol, os animais estão mais próximos dos seres humanos sob o ponto de vista emocional do que até aqui se acreditava. Esta investigadora afirmou ainda que "O nosso desafio é ensinar aos outros que todos os animais que tencionamos comer ou usar são indivíduos complexos, e ajustar a nossa cultura de exploração animal em conformidade".

O professor Donald Broom, da Universidade de Cambridge, que também participou da conferência, revelou, com base numa experiência, que as vacas podem ser estimuladas por desafios intelectuais. Durante um estudo, os investigadores desafiaram os animais com uma tarefa que consistia em descobrir como abrir uma porta para conseguirem obter alimento. As reacções foram controladas por um electroencefalograma para medir as suas ondas cerebrais. Constatou-se uma aceleração do ritmo cardíaco e algumas até pularam.

A crença generalizada de que os animais de quinta não sofrem em condições consideradas intoleráveis para humanos é em parte baseada na ideia de que são menos inteligentes do que os homens e de que não têm a “noção do eu”. No entanto, cada vez mais as pesquisas revelam que isto não é correcto.
Keith Kendrick, professor de Neurobiologia no Instituto Babraham em Cambridge, descobriu que até as ovelhas são muito mais complexas do que se pensava e conseguem recordar 50 caras ovinas – mesmo de perfil. Conseguem reconhecer outra ovelha após um ano afastadas. Segundo Kendrick, as ovelhas podem até estabelecer afeições fortes por certos humanos, entrando em depressão por separações longas e saudando entusiasticamente mesmo depois de 3 anos.

A conferência Compassion in World Farming iniciou-se com um discurso chave de Jane Goodall, a primatologista que fundou os estudo da Senciência Animal com a sua pesquisa em chimpanzés no início dos anos 60 do século XX. Goodall desmistificou a crença de que os animais eram simples autómatos que mostravam pouca individualidade ou emoções. No entanto demoraram muitos anos para que os cientistas aceitassem que tal ideia fosse aplicada a muitos outros animais. ``Animais sencientes têm a capacidade de experienciar prazer e sentem-se motivados a procurá-lo”, afirmou Webster. ``Só é preciso observar como as vacas e cordeiros procuram e apreciam o prazer de estarem deitados com as cabeças levantadas na direcção do sol num perfeito dia de Verão inglês. Tal como os humanos.”.



Referências:
Jornal The Sunday Times, 27 de Fevereiro de 2005 - http://www.timesonline.co.uk/article/0,,2087-1502933,00.html

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Inserido em: 2005.04.30 Última actualização: 1999.11.29

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