Antárctida parou de encolher

A grande massa de gelo da Antárctida Ocidental está a aumentar de espessura e não a derreter, ao contrário do que a generalidade da comunidade científica receava, segundo um estudo publicado na revista Science. Mas as conclusões deverão ser objecto de controvérsia e terão ainda de ser confirmadas.

Um dos grandes receios dos cientistas que estudam o aquecimento global do planeta é que o aumento da temperatura acabe por fazer derreter aquela imensa placa de gelo, o que causaria uma subida do nível dos mares, em todo o planeta, com graves consequências para as regiões costeiras. No entanto, e apesar de indícios de que a camada tem diminuído regularmente desde a última Idade do Gelo, há 11 mil anos, as medições de Ian Joughlin, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, e de Slawek Tulaczyk, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, mostram que essa tendência está a inverter-se.
O estudo dos dois cientistas, que utilizaram radares instalados em satélites para efectuarem as suas medições, surgiu uma semana depois de outra investigação relatada na revista Nature, segundo a qual as temperaturas nos gelados vales da Antárctida tinham diminuído sensivelmente desde meados da década de 80. Ao passo que as temperaturas médias nos restantes continentes subiram nos últimos cem anos em cerca de 0,17º centígrados, exactamente o oposto sucedeu na Antárctida, afirmavam os autores do estudo na Nature.

Joughin e Tulaczyk escrevem, no seu estudo, que a calota no mar de Ross está a crescer ao ritmo de 26,8 mil milhões de toneladas por ano, enquanto estudos anteriores indicavam a existência de uma perda de gelo da ordem de 21 mil milhões de toneladas por ano. "A calota esteve a diminuir nos últimos milhares de anos, mas pensamos que essa situação acabou", disse Joughin, embora acrescentasse que seria um erro assumir que está completamente afastada a hipótese de um colapso daquela grande massa de gelo. Por outro lado, o estudo incidiu apenas sobre uma pequena área, conhecida como Ice Stream C, e teve um período relativamente curto, pelo que poderá verificar-se unicamente uma flutuação de menos importância.
"Haverá menos motivos de preocupação quanto ao desaparecimento da camada de gelo, mas não posso afirmar que podemos deixar de nos preocupar", disse o cientista, realçando, por outro lado, que há outras regiões na Antárctida Ocidental onde o gelo está a diminuir, nomeadamente, os glaciares de Pine Island e de Thwaites. Pelo contrário, a parte oriental do continente está mais estabilizada.


Referências:

Jornal Diário de Notícias, 2002-01-19

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Inserido em: 2002.05.09 Última actualização: 1999.11.29

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