Floresta é arma contra dióxido de carbono
Um estudo científico publicado recentemente na revista Science sugere que a gestão da floresta pode ser usada para restringir o aumento de dióxido de carbono (C02) na atmosfera e assim combater o efeito de estufa.
Este estudo surge na mesma altura em que a Direcção-Geral do Ambiente revelou o relatório sobre o estado do ambiente em Portugal nos últimos dez anos: a poluição do ar aumentou, sendo o sector dos transportes o mais prejudicial para o ambiente.
Muitos técnicos propõem a gestão florestal como uma forma simples de diminuir o aquecimento global do
planeta. Segundo eles, mais árvores retirarão da atmosfera grandes quantidades de CO2, um gás que as plantas utilizam para crescer e reproduzir-se. No entanto, numerosos factores climáticos e ecológicos vêm baralhar esta questão simples, afirma o estudo da Universidade de Wisconsin-Madison e da Universidade de Harvard.
O essencial da investigação residiu na tentativa de saber quanto CO2 captam e rejeitam as plantas. Os cientistas concluiram que as trocas de carbono dependem principalmente de factores físicos e climáticos, tais como a hora do dia e a estação do ano. De dia, com a fotossíntese, as plantas captam o CO2 e de noite rejeitam-no. Também as estações de clima mais favorável exigem menos trocas de CO2. Os investigadores sugerem ainda que a longo prazo os factores ecológicos - e não somente os climáticos - serão importantes nas trocas.
A taxa de crescimento e a idade da floresta representam factores a ter em conta e que são influenciados pela forma como se gere a floresta.
Quando as árvores são velhas as trocas de CO2 com a atmosfera revelam-se mais reduzidas e o número de árvores que morrem também influencia o balanço do CO2.
Os cientistas usaram vários métodos para determinar as trocas de carbono e concluiram que, de facto, a floresta pode diminuir o aquecimento global, mas "não conseguimos chegar ainda a uma ideia clara" sobre o tipo de gestão que se recomenda, "pois a gestão florestal é coisa complicada".
Este estudo, publicado na revista Science, surge na mesma altura em que, a Direcção-Geral do Ambiente
revelou o relatório sobre o estado do ambiente em Portugal nos últimos dez anos. Segundo o relatório, a poluição do ar aumentou em Portugal nos últimos dez anos, tendo sido o sector dos transportes (em 1999 foi
responsável por um terço das emissões de dióxido de carbono) o mais prejudicial para o ambiente. De 1990 a
1999, as emissões de gases com efeitos de estufa aumentou 22 por cento e só o sector dos transportes é responsável por 47 por cento da poluição por ozono.
Referências:
Diário Notícias 2001-11-29
http://www.mni.pt/destaques/?cod=1474 Inserido em: 2002.05.10
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