Manual de viagem do vegano/vegetariano

1- O poder da antecipação.
Se tens uma ideia dos locais onde vais passar, não deixes de dar uma olhadela na Internet à procura de restaurantes vegetarianos e, lojas de produtos naturais. As lojas são importantes pois se ficares em alguma pousada da juventude que disponha de cozinha, torna-se tudo muito mais fácil. Infelizmente alguma desta informação encontra-se desactualizada e, já me aconteceu várias vezes ir todo contente à procura dum restaurante e “bater com o nariz na porta”. É também importante descobrir contacto de organizações vegetarianas locais que te podem sempre ajudar e que, regra geral, dispõem de informação mais actualizada. Podes procurar informação em:
http://www.allveggielinks.com/Travel.htm
http://www.veg.org



2- Nem só de palácios e museus vive o homem!
Aprende a usar os postos de informação turística para descobrir algo mais que locais bonitos para visitar ou sítios para dormir. Aquilo que a internet não te soube dizer podes às vezes saber nesses locais. Mesmo que essa informação não esteja disponível pergunta qual o mercado ou mercearia mais próximo do local onde pernoitas ou, que tenha maior variedade de produtos.

3- No mundo das nuvens…
As empresas de catering que fornecem as companhias aéreas, dispõem de refeições próprias não só para veganos e vegetarianos, como também para quem precisa de uma alimentação especial por, por exemplo, sofrer de diabetes. É necessário fazer o pedido de uma refeição especial pelo menos 24 horas antes do vôo, para garantir que a refeição é fornecida, se bem que, é preferível fazer o pedido logo quando se faz a reserva. O código para refeição vegan é VGML e para ovo-lacto-vegetariana é VLML. Infelizmente algumas empresas de catering põe alguns produtos ovo-lacto-vegetarianos na refeição vegan, mas é sobretudo pacotes de manteiga, na sobremesa ou, um croissant ou pão de leite. O prato principal é sempre vegano. Se achas que mesmo assim vais passar fome podes sempre ir munido de alguma peça de fruta ou de pão mas, se viajares para fora da Europa, deves consumir todo o que levares antes de chegares ao destino pois, em muitos países de outros continentes, entrar com produtos agrícolas é quase tão grave como traficar droga.

4- Quem disse que em férias só se descansava?
Após teres perdido o preconceito de que se não encontras um restaurante, vais passar fome, vais descobrir que podes cozinhar comida vegetariana facilmente. Arroz, vegetais, leguminosas (em lata é fácil de obter), fruta, cereais de pequeno-almoço e pão é algo que se encontra em qualquer terreola. Soja também se encontra em alguns supermercados, especialmente rebentos. Provavelmente, fora das grandes cidades (onde se encontram os restaurantes vegetarianos) vais cozinhar muitas das tuas refeições. Além de ser a melhor forma de te garantir uma alimentação vegetariana equilibrada, vai-se revelar extremamente eficaz para manteres também equilibrado o teu orçamento.

5- Hare Krishna, Krishna Krisnha, Hare Rama, Rama Rama!
Os Krishnas são um bom auxiliar do viajante vegetariano e, pelo menos na Europa, encontram-se em muitos locais. A comida é boa e barata (às vezes de graça). Infelizmente para os veganso, a comida leva muitas vezes lacticínios. Apesar de defenderem o seu uso por vir indicado no Baghavad Gita como sendo algo bom para consumo humano, os krishnas respeitam o veganismo e, são quase sempre prestáveis e dispostos a ajudar-te a comer algo vegan. Procura no site da organização, grupos locais nos sítios para onde viajes:
http://www.iskcon.com/

6- Não te armes em burro de carga!
Tudo aquilo que poder ser facilmente comprado no local (ver ponto 4) não vale a pena ir a fazer peso extra e ocupar espaço vital para coisas essenciais (ver ponto 8).
Basta um ou dois pães e duas peças de fruta para te aguentares durante o dia. Uma caixa de cereais de pequeno-almoço também ajuda mas, já ocupa algum espaço.
Uma solução para diminuires espaço (e peso) é deitares for a (se possível em postos de reciclagem) todas as embalagens desnecessárias, como por exemplo as caixas de cartão dos cereais.

7- Aposta na variedade!
Compra sempre pelo menos dois tipos de fruta diferente e tenta variar da fruta, leguminosa, e legumes que comeste no dia anterior. Maçã calha bem todos os dias.
Tenta também comer pelo menos algo de cada um estes grupos todos os dias: frutas e vegetais/cereais/leguminosas/frutos secos.

8- Oh pá, isso é muita fruta!
Se tudo falhar podes sempre comer fruta e pão. Pode parecer um desenrascanço xunga, mas se consultares o site do frutarianismo, podes tirar dicas para te alimentares bem durante uns tempos só (ou quase) de fruta de uma forma saudável:
http://www.fruitarian.com/

9- O valor da comida não se mede aos palmos!
Procura levar sempre contigo coisas que sejam muito nutritivas, ocupem pouco espaço e pesem pouco, especialmente se andares sempre de mochila às costas.
A alga Nori é extremamente nutritiva e vende-se em embalagens de 10 lâminas. Para além de ser muito leve e fácil de arrumar, tem a vantagem adicional de, para ser consumida bastar ser levemente tostada com a ajuda de um isqueiro.
Barras energéticas de vários cereais ou de alfarroba também são um auxiliar precioso, se bem que mais difíceis de encontrar. Apesar de agora já começarem a aparecer não só em lojas de produtos naturais, não costuma haver fora das grandes cidades do 1º mundo. Quando encontrares convém comprar uma quantidade razoável (mínimo uma para cada dia).

10- De volta ao básico…
Usa a imaginação e aproveita a melhor invenção da humanidade depois da roda: a sandes! Podes meter tudo o que quiseres lá dentro, sem te esqueceres da clássica manteiga de amendoim, fácil de obter em muitos locais.
Mais difícil (excepto para quem viaja pelas cidades dos países industrializados), mas excelentes são as bisnagas de patês da Granovita e da Patex, óptimas para pôr no pão.

11- O perigo amarelo anda por aí à espreita!
Se estás mesmo apostado em comer em restaurantes, ou porque tens muita preguiça para cozinhar, ou porque os teus companheiros de viagem estão-se nas tintas para o facto de seres vegetariano e querem comer com conforto, a maior parte dos restaurantes chineses ou de países asiáticos (nepaleses, tibetanos, vietnamitas, indianos, etc) têm pratos vegan ou vegetarianos. Além disso estão disseminados por quase todo o mundo (especialmente os chineses). Tem, no entanto, o cuidado de especificar se há algo que não queres que seja incluído no prato ou que o empregado percebeu bem as perguntas que fizeste (isto é muito importante)!
Em alguns deles (mais nos vietnamitas) até se consegue por vezes encontrar pratos feitos com seitan.

12- Om Mani Padme Hum
Se encontrares centros budistas, podem ter algum restaurante vegetariano associado ou saber onde podes encontrar um (especialmente nepalês ou tibetano).

13- O resto da estrangeirada.
Para quem gosta de fritos, um vendedor ambulante de Fallafel (encontra-se frequentemente por essa Europa fora) desenrasca uma refeição.
Caso prefiras algo mais europeu, sempre há os italianos, se bem que não são nada vegan-friendly, mas podes sempre pedir para não porem queijo na pizza.

14- Posso falar com o cozinheiro?
Se apesar disso, a escolha recair num outro restaurante “normalóide”, tens sempre a hipótese de pedir para falar com o cozinheiro e pedir para fazer alterações num prato ou, preparar um especial de corrida para ti. Regra geral em restaurantes satisfazem mais facilmente um pedido desse género do que em bares que também servem pratos, pois aí costumam ser mais inflexíveis em relação a tudo o que saia fora da ementa. O mesmo se passa quanto maior for a “classe” do restaurante.
Uma sopa de legumes é também uma boa aposta (é barato, nutritivo e enche).

15- Quem tem boca vai a Roma!
Mesmo quando pedes algo vegetariano, há pessoas para quem esse conceito pode muito simplesmente incluir tudo o que não seja carnes vermelhas. Por isso, convém saberes algumas palavras chave como por exemplo “SEM”, à qual juntas tudo aquilo que não queres comer: carne, peixe, marisco, ovos, leite, manteiga, queijo, etc.
Em alguns países saber falar inglês chega e sobra para as encomendas, mas noutros, seja por ignorância ou por chauvinismo militante, torna-se imperioso saber algumas palavras chaves da língua nativa. Usar a técnica do “SEM” torna-se mais fácil do que tentar explicar conceitos complexos como “veganismo” ou mesmo “vegetarianismo”.

16- Okupa (o estômago) e resiste!
Se fores uma pessoa que não faz finca pé em comer em restaurantes “normais” podes tentar contactar com pessoal de Squats. O vegetarianismo e o movimento okupa costumam andar de mãos dadas. Procura saber junto de Squats locais contactos dos sítios para onde vais passear. Lá podem ter comida para ti ou boas informações para te dar. Em Londres comi uma vez comida vegan a 50p o prato (10-20% do preço normal duma refeição) num centro cultural libertário.



Copyright Centro Vegetariano. Reprodução permitida desde que indicando o endereço: http://www.centrovegetariano.org/Article-75-Manual-de-viagem-do-vegano-vegetariano.html

Inserido em: 2002.05.09 Última actualização: 2010.07.10

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Comentários



Gostaria de pedir a vossa opinião. Vou proximamente fazer uma viagem ao Egipto, que pelo que pesquisei, apresenta uma grande variedade de frutas e vegetais, mas sendo a carne uma desnecessária presença nas refeições. Deste modo, queria saber se acham que deva questionar a agencia sobre a existencia de um menu vegan, pois leite e ovos estão fora de questão, por diversos motivos, ou então ao chegar ao meu destino tento desenrascar-me ?. Obrigado

[Por: Vegcooker @ 2010.01.19 - 20:30 | Responder | Imprimir ]

egipto

Vegcooker escreveu:
> Gostaria de pedir a vossa opinião. Vou proximamente fazer uma viagem ao
> Egipto, que pelo que pesquisei, apresenta uma grande variedade de frutas e
> vegetais, mas sendo a carne uma desnecessária presença nas refeições. Deste
> modo, queria saber se acham que deva questionar a agencia sobre a
> existencia de um menu vegan, pois leite e ovos estão fora de questão, por
> diversos motivos, ou então ao chegar ao meu destino tento desenrascar-me ?.
> Obrigado

Olá Vegcooker,
Tanto quanto te posso dizer, da minha experiência pessoal, deves requisitar na agência e na companhia aérea refeições vegetarianas. Normalmente funciona. Estive recentemente na India (onde a maior parte das ref são vegetarianas), mas pedi refeições vegetarianas na Lufhtansa e tive refeições veganas!!!! Pede, pois terás direito a elas. Lá, nas refeições que fizeres sozinho, terás que te "desenrascar". Mas deve ser fácil, pois esses povos comem muito cereais e vegetais.

(Por: Paula Soveral)

[Por: @ 2010.01.20 - 22:51 | Responder | Imprimir ]


Se fores sozinho pode tornar-se mais fácil pois podes escolher os sítios onde tomar as refeições. Se fores numa visita organizada, pode tornar-se mais complicado.
Os pequenos-almoços em hotéis são quase sempre muito simples, pois são buffets e encontra-se sempre chá, fruta, pão.
Em http://www.vegdining.com e em
http://www.happycow.net encontras contactos de restaurantes vegetarianos no Egipto.

[Por: cris @ 2010.01.22 - 12:10 | Responder | Imprimir ]



Gostei

Parabens, gostei muito da informçao. Clara, exacta e directa ao assunto. Ira me ajudar em muito quando viajar.
Como Vegan, é sempre dificil encontar, ou pelo menos tentar explicar o que é. Com a tecnica do "SEM" ira ser mais facil.
Bem-haja =)
(Por: web-head)

[Por: @ 2007.05.27 - 01:59 | Responder | Imprimir ]