Feiticeiro sem deuses, reconheço
O limite dos meus encantamentos
Só em raros momentos
De inspiração
Eu consigo o milagre dum poema,
Teorema
Indemonstrável pela multidão.
Mas é desse limite que me ufano.
Ser humano
E poeta.
Humildemente,
Com toda a paciência da terra
Com toda a impaciência do mar
Aguardo o transe, a hora desmedida;
E é o próprio rosto universal da vida
Que se ilumina
Quando o primeiro verso me fulmina.
(in Orfeu Rebelde)