Uma brisa suave
me acaricia a face.
E a melodia da música
parece embalar-me.
Saudade do que não sinto.
Saudade do que não vejo.
Saudade do que não tenho,
e desejo.
Um poema
Uma lágrima
Uma emoção
condensada.
Sinto a tua falta
na mão que não aperto.
Procuro e não te encontro
no ombro que não me acolhe.
Estou aqui
mas penso em ti,
aí.
Há sempre outro eu
que nos persegue.
Uma máscara
que nos esconde.
Quem me dera...
Se o mundo
fosse uma gaveta
que eu pudesse abrir.
Quase acreditei
no que contemplei,
no que vi,
no que senti.
Alguém nos empurrava
e tudo era diferente.
Tudo à nossa volta girava.
Podíamos sonhar.
Voar por entre nuvens de algodão.
Fecho os olhos,
e tudo o que estava distante
me vem à memória.
A meu lado corre um rio
calmo e transparente.
E que confusão dentro de mim!...
Um mar de interrogações.
A buscas de respostas
para preencher o vazio do ser.
As palavras indecifráveis
como uma confusão da alma.
Segredos?!
Onde estão eles?
Só nas profundezas
do ser ou da alma.
Tudo aconteceu...
E depois ficou o vazio do amor.
Um espaço vazio
que não se consegue ocupar.
Duvidei dos sonhos.
Duvidei da vida.
Duvidei da escolha
que fiz um dia.
Quando os ponteiros
deixam de avançar,
fazendo os relógios parar;
o mundo deixa de girar;
e a música faz-se ouvir.
Mesmo na escuridão
existem estrelas que brilham.
Mesmo quando tudo parece apagado
existem momentos suaves e de melodia.
Todos têm sorrisos,
só eu nenhum.
Todos festejam
alguma coisa.
Só eu não sei
que há para festejar.
Olhei para trás
não sei o que vi.
Parecia nevoeiro,
não o segui.
Um sentimento
não sei se o quero.
Uma lágrima
recuso-a.
Um sorriso
desconfio dele.
Por um sonho
escalam-se montanhas,
esvaziam-se mares,
atravessam-se caminhos,
percorrem-se estradas.
Ser poeta é
transformar o mundo
num lugar mágico e misterioso,
repleto de segredos e tesouros.
Palavras doces
em lábios que tremem.
Olhos que piscam
raios de luz.
Noite fria.
Sorrisos quentes.
Pensamentos distantes
num verde imenso.
Queria eu
ser pintor
e oferecer-te uma tela.
Ser estrela
e iluminar-te.
Uns dias avançaram...
e do teu olhar
ela se esqueceu.
Talvez tenha sido
Uma ilusão
Um capricho meu.
Queria fazer de ti
meu confidente
desnudar-me até à alma
de todas as partículas
que constituem o “eu”.
Caminhavas a meu lado.
Distraí-me a olhar as estrelas.
E por uns instantes
não te vi mais.
Ser ou não ser? – eis a questão
Questão complicada esta.
Ser o que os outros sonham.