Fecho os olhos,
e tudo o que estava distante
me vem à memória.
Alguém nos empurrava
e tudo era diferente.
Tudo à nossa volta girava.
Podíamos sonhar.
Voar por entre nuvens de algodão.
O horizonte está distante.
O distante é sempre um sonho;
Sonho que só a aventura
e a coragem podem concretizar.
Quando os ponteiros
deixam de avançar,
fazendo os relógios parar;
o mundo deixa de girar;
e a música faz-se ouvir.
Quase acreditei
no que contemplei,
no que vi,
no que senti.
Quem me dera...
Se o mundo
fosse uma gaveta
que eu pudesse abrir.
Por um sonho
escalam-se montanhas,
esvaziam-se mares,
atravessam-se caminhos,
percorrem-se estradas.
Há sempre outro eu
que nos persegue.
Uma máscara
que nos esconde.