Desde a sua primeira publicação, em 1975, este livro despertou milhões de pessoas inquietas para o abuso chocante de animais - inspirando um movimento mundial que visa abolir a experimentação laboratorial com animais, cruel e desnecessária, e denunciar a realidade arrepiante das actuais unidades de criação intensiva.
Nesta nova edição, revista e ampliada, da obra que entretanto se tornou a bílbia do vegetarianismo, o filósofo da ética Peter Singer apresenta soluções sensatas e compassivas para aquilo que se tornou uma questão profundamente ambiental e social, tal como moral. Libertação Animal é um apelo importante e convincente à consciência, à justeza, à decência e à justiça, constituindo leitura essencial tanto para o defensor dos animais como para o céptico.
Excertos da obra
"Quando Mary Wollstonecraft, uma percursora das feministas actuais, publicou a sua Vindication of the Rights of Women, em 1972, as suas opiniões eram de um modo geral consideradas absurdas, e surgiu logo a seguir uma publicação intitulada A Vindication of the Rights of Brutes. O autor desta obra satírica (que se sabe agora ter sido Thomas Taylor, um distinto filósofo de Cambridge) tentou refutar os argumentos avançados por Mary Wollstonecraft demonstrando que eles poderiam ser levados um pouco mais longe. Se o argumento de igualdade se podia aplicar seriamente às mulheres, porque não aplicá-los aos cães, gatos e cavalos?
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Os animais são capazes de sentir dor. Como já vimos, não pode existir qualquer justificação moral para considerar a dor (ou o prazer) que os animais sentem como menos importante do que a mesma dor (ou prazer) sentida pelos humanos.
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Como podem suceder estas coisas? Como podem pessoas, que não são sádicas, passar os seus dias de trabalho a arrastar macacos para uma depressão vitalícia, a aquecer cães até à morte, a transformar gatos em dependentes de drogas? Como podem eles depois tirar as batas brancas, lavar as mãos e ir para casa, jantar com as famílias? Como podem os contribuintes permitir que o seu dinheiro seja usado para financiar estas experiências?
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Ser vegetariano não é uma atitude meramente simbólica. Assim como não é uma tentativa de isolamento face às feias realidades do mundo, de se manter puro e, portanto, sem responsabilidades relativamente à crueldade e à carnificina perpetradas em torno de si. Ser vegetariano é uma medida altamente prática e eficaz que se pode adoptar para pôr fim tanto à morte como à inflicção de sofrimento a animais não humanos.
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O vegetarianismo traz consigo uma nova relação com a comida, com as plantas, com a natureza. A carne torna amargas as nossas refeições. Por mais que o disfarcemos, o facto de o elemento principal do nosso jantar provir de um matadouro, pingando sangue, permanece inalterado. Se não for tratada e refrigerada, a carne depressa começará a apodrecer e a cheirar mal. Quando a comemos, cai pesadamente nos nossos estômagos, bloqueando os nossos processos digestivos até, dias depois, lutarmos para a evacuar."