Sobre os espinafres
O espinafre é uma hortaliça com enorme valor fisiológico e nutritivo, bastante rico em vitaminas, minerais em forma de sais, clorofila, oligoelementos e fermentos. 100g de espinafre contêm 93 g de água; 2,3 g de proteínas; 0,3 g de gordura e 1,8 g de hidratos de carbono e apenas umas 20 calorias.
Também contém quercitina, um fitoquímico com propriedades antioxidantes, vitamina K, magnésio e manganésio.
Pensa-se que o mito da riqueza em ferro dos espinafres tenha sido propagado por um erro matemático do dr. E. von Wolf em 1870, mas em 1937 químicos alemães corrigiram-no.
Segundo investigadores da Universidade do Estado da Pensilvânia nos E. U. A., poucos dias após a colheita os espinafres começam a perder nutrientes, pelo que devem ser consumidos o mais depressa possível após a compra, aproveitando sempre a água de cozedura para que não se perca nada do seu valor. De facto, após 8 dias no frigorífico a temperatura pouco baixa, os espinafres perdem cerca de metade dos nutrientes, pelo que se deve reduzir a temperatura e o tempo de conservação.
Os espinafres contêm níveis altos de oxalato (sal do ácido oxálico), o qual se liga ao ferro formando oxalato ferroso, o que significa que não pode ser decomposto nem absorvido pelo metabolismo pois interfere na absorção de minerais, nomeadamente de ferro e cálcio. Assim, este vegetal não deve ser cozinhado juntamente com alimentos ricos em cálcio, mas a sua proteína deve ser complementada com a do arroz ou a de outros cereais. É difícil para o nosso organismo absorver de forma óptima o ferro não-heme* de origem vegetal, por isso o consumo de espinafres deve ser concomitante com alimentos ricos em vitamina C. O ácido oxálico também pode representar um problema para pessoas propensas a pedra nos rins e na bexiga (que se formam dos oxalatos).
Sem exagero, costuma dizer‑se que os elementos activos do espinafre são tão numerosos que substituem meia farmácia. De facto, esta saborosa hortaliça de folha é rica em cálcio, fósforo e enxofre. Só com estes três factores ocuparia já um lugar destacado no regime nutritivo, contudo o espinafre oferece ainda uma composição ideal de toda a melhor farmacopeia que é necessária e eficaz para a formação do sangue, ou seja: arsénico (0,009 mg em 100g), cobre, iodo, ferro (10mg em 100g), vitamina C e clorofila, que é quimicamente muito parecida com a hemoglobina humana.
Contém também vitamina A (a vitamina para a protecção da pele e das mucosas) em quantidade notável e vitaminas do grupo B. Note‑se de igual modo a presença da secretina no espinafre, que combinada com a saponina (elemento de características semelhantes às do sabão) exerce um efeito de aceleração e aumento da secreção no fígado, na vesícula biliar, no pâncreas, estômago e intestinos. O espinafre é também uma boa fonte de luteína, um tipo de carotenóide altamente eficaz na prevenção de cancro do cólon, uma das causas de morte mais comuns em Portugal. A luteína não se encontra em suplementos, mas apenas em frutas e vegetais frescos. A propósito deste carotenóide, investigadores do Centro Médico da Universidade do Utah, E. U. A., concluíram que o risco de cancro do cólon foi significativamente reduzido em 1993 pacientes com níveis de ingestão de luteína mais elevados. Ao contrário de outros carotenóides, a luteína tem um efeito protector mais eficaz a nível das membranas.
No seu livro
A Saúde Pelos Alimentos, o Dr. Ernest Scnheider elege mesmo este legume da seguinte forma: «(...)o espinafre ocupa o primeiro lugar, com grande vantagem, entre as hortaliças, pelo seu conteúdo em proteínas, vitaminas e elementos minerais (...)» e refere a sapiência das Árabes em relação ao mesmo: «…Árabes… sabiam que o espinafre é “bom para o fígado, remédio para a icterícia e laxante para a digestão”.»
O efeito curativo do espinafre ou do seu suco já demonstrou eficácia no tratamento de obstipação, sede, diabetes, tonturas, acne, desmineralização óssea, hipertensão, anemias (sobretudo nas chamadas hipocrónicas), durante os anos de desenvolvimento, na aceleração da reposição de sangue, no pós operatório, eczemas cutâneos crónicos, insuficiência funcional das glândulas digestivas (fígado, pâncreas), escrófulas, avitaminoses, assim como em hemorragias internas ocultas ou declaradas. Uma alimentação abundante em espinafres, sempre que não se consumam muitos alimentos de grande produção de ácidos, tais como carne, ovos, avelãs, nozes e semelhantes ou cereais, tende também a produzir uma reacção alcalina da urina, que é a que se procura nas doenças para a desintoxicação, evacuação e expulsão de sal.
Desempenha igualmente um papel importante nas doenças gástricas da amamentação e da primeira infância, bem como na alimentação dos doentes. O seu conteúdo em ácido fólico ajuda a prevenir problemas de desenvolvimento do feto como a espinha bífida.
Também investigadores do Oak Ridge National Laboratories, no Tennessee, E.U.A., constatando a capacidade de este vegetal gerar impulsos eléctricos quando em contacto com a luz durante a fotossíntese, retiraram do espinafre pigmentos fotossensíveis e adicionaram-nos a células nervosas da retina, as quais reagiram na presença de luz, fazendo crer que algumas formas de cegueira podem ser assim tratadas por via da estimulação voltaica.
*heme: designação dos compostos de porfirina e ferro bivalente; pigmento orgânico vermelho complexo que contém ferro e outros átomos aos quais o oxigénio se liga.
Referências:
http://www.abhorticultura.com.br
A Saúde Pelos Alimentos, Ernest Schneider (médico), Publicadora Atlântico, 1977
http://www.saudenainternet.pt
http://www.wholehealthmd.com
American Journal of Clinical Nutrition, Fev. 1, 2000
http://www.healthcentral.com
http://www.webmd.com Inserido em: 2006.03.26
Última actualização: 2006.11.12
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Comentários
e o ácido oxálico?
http://www.abhorticultura.com.br/Nutricio/Default.asp?id=1763http://en.wikipedia.org/wiki/Spinach
(Por: Savoy)
2006.03.27 - 21:41
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