Recentemente no nosso país, temos assistido à abertura de restaurantes semi‑vegetarianos, ou seja, no mesmo espaço servem refeições vegetarianas e carnes, peixes e mariscos. Talvez a principal razão se prenda com a viabilidade dos negócios, atraindo ambos os tipos de clientes, especialmente fora das grandes cidades onde possivelmente seria mais difícil um negócio exclusivamente vegetariano sobreviver.
Comummente, estes locais têm tantas opções vegetarianas como não‑vegetarianas, havendo um maior equilíbrio do que em restaurantes convencionais, em geral com apenas uma opção vegetariana. Geralmente privilegiam ingredientes provenientes de agricultura biológica e/ou comércio justo e confeccionam‑nos de acordo com a dieta mediterrânica.
Fora de Portugal é também comum encontrar restaurantes convencionais com uma larga oferta de pratos vegetarianos. Não perdem oportunidades de negócio com os vegetarianos em si, com grupos de clientes onde estão inseridos vegetarianos que tendencialmente frequentarão locais adequados para ambos os casos nem com não-vegetarianos que ocasionalmente apreciam pratos vegetarianos.
As razões pelas quais algumas pessoas vegetarianas rejeitam estes espaços mistos estão relacionadas com o facto de serem locais onde se manuseiam animais para alimentação juntamente com os produtos exclusivamente vegetais, sendo quase impossível não haver interferência entre eles. Além disso, ao pagar a sua conta, um vegetariano que o seja por razões éticas e seja contra o financiamento da indústria da exploração animal e todo o sacrifício implicado, em última análise, está a dar algum lucro a um negócio que irá comprar o fruto daquela indústria que pretende boicotar e servi‑lo como alimento, consentindo assim que a vida animal seja encarada como inferior à humana e tornando essa prática aceitável lado a lado com o vegetarianismo.
Podemos argumentar que apenas um restaurante 100% vegano se poderá regozijar por não contribuir para a indústria do sacrifício dos animais; a maioria dos restaurantes vegetarianos portugueses utiliza ovos, leite e queijo de origem animal, possivelmente manteiga, mel. E como a produção destes derivados é totalmente indissociável daquela indústria, então mesmo um restaurante destes contribui em certa medida para ela.
Por outro lado, outros vegetarianos (e omnívoros) defendem esta nova tendência de restaurantes, uma vez que, argumentam, se invertem os papéis: ali, o omnívoro é a excepção no mundo vegetariano e não o contrário, como acontece com mais frequência na restauração, o que poderá fornecer a quem come carne e peixe uma outra perspectiva, uma reflexão, desmistificando assim a alimentação vegetariana, uma vez que se apreciam de perto os aromas, o aspecto, os sabores, etc. Outra vantagem apontada diz respeito ao facto de muitas vezes existirem grupos que incluem omnívoros e vegetarianos e desta forma, aquando de uma refeição conjunta num restaurante misto agradar-se‑ia a gregos e a troianos, respeitando a opção alimentar de cada um. Todavia este “respeitar de opção” não é consensual: discute‑se que, ainda que existam opiniões diferentes em relação a comer animais e seus derivados, liberdade de pensamento e expressão não é o mesmo que liberdade de acção—podemos ser de opinião que um animal é inferior, que não tem sentimentos de dor, alegria, etc. e que é legítimo morrer para nos alimentarmos dele, mas, aplicando-se a bioética não apenas ao humano, mas a todos os seres sencientes de uma forma anti‑especista, nenhum interesse deve sobrepor-se ao ciclo de vida natural destes seres, ao seu bem‑estar, à sua liberdade e saúde.
Será então melhor a existência de restaurantes mistos (com ou sem a denominação “vegetariano” no nome), mas que realmente tenham cerca de metade da sua oferta vegetariana podendo ajudar a divulgar, promover e desmistificar o vegetarianismo ou será preferível não existirem de todo, mantendo‑se negócios separados?
São questões cujas respostas ficam ao critério de cada um de nós.
Referências:
http://www.eggindustry.com
http://www.peta.org/issues/animals-used-for-food/dairy-industry.aspx
http://www.helium.com/items/1945813-how-restaurants-benefit-from-offering-vegetarian-meals
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Restaurantes
Sou vegetariana, relativamente, há pouco tempo (desde Junho 2010). Sou o único membro da minha família a ter esta alimentação. Entendo, que deveria ser obrigatório, todos os restaurantes terem pratos vegetarianos/Veganos. Sim...penso na possível contaminação, também sei do SOFRIMENTO ANIMAL, acima de tudo. Mas não será maior sofrimento animal daqueles que comem carne e peixe. Para uma evolução como ser humano não podemos discriminar aqueles que entendem ou pensam que são evoluídos.“Ninguém evolui quando tem de matar outros animais para se alimentar ou não respeita todos os seres humanos e não humanos”.
(Por: cristinamaso)
2011.01.19 - 16:42
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