Há algumas semanas atrás o Centro Vegetariano questionou os vários partidos políticos sobre assuntos de interesse da comunidade vegetariana. Até ao momento apenas um partido - o Bloco de Esquerda - nos enviou resposta, a qual transcrevemos abaixo.
Caros Srs,
O Centro Vegetariano é uma Associação de âmbito nacional, cuja face mais visível é o seu portal na Internet. Este recebe cerca de 4500 visitantes por dia, sendo dele também enviado quinzenalmente um boletim informativo a cerca de 4200 utilizadores.
De forma a poder mais correctamente esclarecer os sócios e visitantes, na sequência das várias eleições que se aproximam, o Centro Vegetariano gostaria de conhecer a posição do v/ partido relativamente a alguns assuntos de interesse da comunidade vegetariana. Designadamente:
1) A alimentação vegetariana é uma opção de cada vez mais eleitores. No entanto, cantinas, restaurantes e eventos públicos não apresentam uma alternativa vegetariana. O v/ partido tem alguma proposta relativamente a isto?
2) A produção de animais para alimentação humana é altamente poluente e ineficiente: contamina o ambiente e consome energia, sendo o principal contribuinte para a produção de gases de efeito de estufa. No entanto, subsídios nacionais e Europeus contribuem para baixar artificialmente o preço da carne.
3) A alimentação vegetariana corta um elo na cadeia alimentar, tornando-a bastante mais eficiente. Por outro lado, o consumo desenfreado carne e outros derivados de origem animal, além de acarretar consequências graves para o meio ambiente, causa a médio e longo prazo consequências graves na saúde pública e despesas no Serviço Nacional de Saúde. Uma forma de lidar com o problema pode ser, por exemplo, colocar restrições à publicitação de produtos de origem animal, semelhantes às que existem para a publicidade ao tabaco.
Sem mais, ficamos a aguardar o vosso esclarecimento relativamente a estes ou outros pontos que achem de interesse para a comunidade vegetariana.
Pelo Centro Vegetariano, Associação Ambiental para a Promoção do Vegetarianismo
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O Bloco de Esquerda reconhece as vantagens de uma alimentação vegetariana equilibrada tanto para o ambiente como para a saúde de quem escolhe este regime alimentar.
Por essa razão o BE tem promovido várias iniciativas que facilitem o acesso a este tipo de alimentação sempre que possível. Assim, em 2007 o BE propôs e viu aprovada uma alteração ao OE'2008 pela redução do IVA dos produtos alimentares vegetarianos (tofu, seitan, bebidas, iogurtes e sobremesas de soja, etc...) de 21% para 5%.
Salientamos ainda que em todos os eventos organizados pelo BE (jantares, acampamentos, fóruns) é sempre possível solicitar uma alternativa vegetariana/vegana.
Apesar de não ter ainda apresentado qualquer proposta neste sentido, o BE é favorável à implementação de uma alternativa vegetariana em cantinas públicas, de forma a permitir a livre escolha de uma refeição que não seja contrária às necessidades de cada um e de cada uma.
Os subsídios dados para a produção de animais para alimentação têm um efeito perverso no consumo de produtos de origem animal, promovendo uma alimentação desequilibrada, com as consequências directas para a saúde pública e ambiente. A título de exemplo, enquanto a insuspeita roda dos alimentos sugere um consumo de 5% de carne, peixe e ovos, verificou-se em Portugal durante o ano de 2007 um consumo de alimentos deste grupo na ordem dos 15% (INE), que em 2006 foram apoiados com subsídios na ordem dos 39% (INE).
Isto é um sinal claro que estes subsídios estão a responder aos interesses da agropecuária, que se especializou na produção em massa de animais e seus derivados, e não às necessidades das populações.
Por essa razão o Bloco de Esquerda colocou no seu programa eleitoral, pela primeira vez, respostas que acreditamos irem no sentido certo do respeito dos animais, das pessoas e do ambiente. Foi o único a fazê-lo, o que é um motivo de ainda maior orgulho.
Referimos no nosso programa (que pode ser visto em http://www.bloco.org/media/programabe.pdf):
• Fim da produção de ovos por galinhas de bateria (criação intensiva) promovendo a transição para produção de ovos “free-range” (criação extensiva);
• Subsidiar alimentos que promovam a saúde e as necessidades da população portuguesa e não os interesses dos produtores.
Foram estas as prioridades para os próximos 4 anos que estabelecemos durante a discussão do programa eleitoral aberta a todos e todas.
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