Polvo Polvo

A inteligência do polvo

Em várias regiões de Portugal é costume consumir polvo (cozido) na época natalícia. Deixamos‑te aqui diversas razões para preferires refeições vegetarianas e apreciares o polvo apenas no seu habitat natural e bem vivo!


O polvo, cefalópode invertebrado habitante dos oceanos, é um animal extremamente inteligente com grande volume cerebral e um sistema nervoso altamente complexo disperso por todo o corpo que é capaz de desarrolhar tampas de frascos, decorar a sua habitação com belas pedras, conchas e pedaços de vidro colorido, esconder-se, resolver labirintos e problemas, distinguir padrões e formas, praticar aprendizagem por observação e mesmo brincar atirando garrafas ou objectos contra a corrente e apanhando‑os de seguida. Esta inteligência não decorre de imitação nem parece advir do instinto, pois os polvos quase não contactam com os seus progenitores e têm uma vida solitária.
Diversos estudos demonstram que estes animais com grande capacidade e delicadeza sensoriais são capazes de aprender, sentir dor, reter memórias e utilizar conhecimentos adquiridos para resolverem problemas. Ficou também provado que sentem e sofrem de stress sempre que estão presos e não podem exprimir o seu comportamento natural, que consiste em explorar aquilo que encontram e o seu habitat com os seus enormes e muito complexos tentáculos.
Os polvos são capazes de planear acções e de as executar de acordo com objectivos traçados de modo a favorecer a sua vida e a sua sobrevivência.
Tal como as lulas, os polvos conseguem mudar as suas cores e padrões desde o verde e azul até ao cor-de-rosa; Martin Moynihan (investigador científico) crê que estas mudanças constituem um tipo de linguagem visual que inclui sinais para substantivos e verbos. Estas variações ocorrem conforme a época de acasalamento, comportamento, stress, intenção de comunicação mútua e servem também para localizar presas transparentes.
Também a estrutura complexa do olho cefalópode, semelhante à dos vertebrados e capaz de visão polarizada, nos diz bastante acerca do estado evolutivo avançado do polvo, visto que os animais que possuem este tipo de órgão num grau tão desenvolvido têm mais hipóteses de sobreviver (evitar predadores, encontrar alimento e parceiro para procriar) e legar essa mesma característica de sucesso à sua descendência.
Além de todas estas razões para não comer polvo, o consumo deste animal também não beneficia a nossa saúde, visto que contém bastante colesterol (é contra‑indicado a quem está em regime de redução lipídica) e pode estar contaminado com diversos poluentes presentes nos oceanos.
Por isso, começa já este Natal a seguir as nossas sugestões na secção de receitas e a criar novas tradições juntamente com a tua família e amigos!

Curiosidades:
- Os olhos dos cefalópodes têm uma capacidade única de rotação e constante orientação em relação à força da gravidade, o que permite à pupila manter sempre uma posição horizontal para que o cérebro do animal interprete toda a informação visual desta forma, independentemente do ângulo em que o corpo se possa encontrar.
- Em alguns países, os polvos constam da lista de animais aos quais não pode ser aplicada cirurgia sem anestesia.
- No Reino Unido os polvos são considerados vertebrados honorários no Animals (Scientific Procedures) Act 1986 e em mais legislação contra a crueldade.


Referências:
http://ebiomedia.com
http://www.petakids.com
http://ipimar-iniap.ipimar.pt/divulgacao/O%20polvo%20comum%20-%20IPIMAR%2031Out06.pdf



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Inserido em: 2006.12.16 Última actualização: 2012.01.01

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