Soluções para esquecer a balança

Numa sociedade constantemente invadida por campanhas de marketing são muitas as soluções apresentadas para perder os quilos indesejados. No entanto, os especialistas advertem que nem todos os tratamentos são adequados, e muitos chegam mesmo a ter efeitos adversos para a saúde dos pacientes. As dietas estivais e o consumo de produtos apresentados como light, “linha zero” ou “dietéticos”, que por vezes escondem outras armadilhas a nível de nutrientes ou ingredientes, também não são as soluções mais convenientes.
O tratamento para a obesidade pode estar numa medicação acompanhada de uma alimentação o mais variada e equilibrada possível, exercício físico e alteração do estilo de vida. Algumas especialidades da medicina alternativa também propõem soluções que contribuem para a diminuição do problema. Mas o mais importante mesmo é evitar os erros alimentares.

Os fármacos para reduzirem o apetite só raramente são aconselhados. Existem, no entanto, alguns medicamentos de eficácia aceitável que aumentam a sensação de saciedade e interferem na assimilação das gorduras. Só devem ser utilizados quando recomendados pelo médico e adequados ao paciente, pois caso contrário corre-se o risco de afectar a saúde sobretudo a nível hormonal.
Actualmente, laboratórios de todo o mundo procuram medicamentos e soluções mais eficazes no combate desta doença. A sibutramina é um dos primeiros fármacos para tratar a obesidade, que actua no sistema nervoso central a dois níveis: promove a saciedade precoce e aumenta o gasto energético, permitindo o controlo do peso, a longo prazo. Também uma equipa de investigação da Universidade de Navarra desenvolveu uma vacina anti-obesidade com efeito terapêutico (e não preventivo). Segundo o grupo de investigadores, esta vacina, provavelmente no mercado daqui a alguns anos, só será eficaz em cerca de 25% dos casos de obesidade, naqueles em que se verifiquem baixos níveis de leptina. A vacina introduz no organismo uma substância equivalente à leptina, uma hormona proteínica que diminui o apetite e aumenta a combustão de lípidos. Por isso, ao incorporar a vacina no organismo produz-se uma sensação de saciedade, regula-se o gasto calórico e consequentemente a taxa de gordura corporal.
As dietas rápidas também não são uma boa opção, pois favorecem a perda de peso à custa de massa muscular e água, e não da gordura acumulada. Geralmente são dietas muito desequilibradas ao nível dos nutrientes essenciais, o que pode levar a outros problemas de saúde. Para que se emagreça à custa de gordura armazenada, a maior parte dos nutricionistas recomenda uma perda de cerca de meio quilo semanal, através de uma alimentação equilibrada e lenta, e com exercício físico regular. O exercício praticado regularmente, seja ele o simples caminhar, a aeróbica ou a natação, entre outros; ajuda a queimar as calorias que estão a mais e aumenta o metabolismo corporal.
Outros tratamentos que começam a proliferar são as cirurgias radicais. Mas é preciso ter em conta que estas só devem ser aplicadas em pessoas com obesidade mórbida estável há mais de 5 anos e apenas quando a sua saúde é bastante prejudicada. As técnicas cirúrgicas utilizadas podem ser restritivas – gastroplastia com banda ajustável, gastroplastia vertical com banda; redutoras da absorção – bypass bíliopancreático; ou mistas – bypass gástrico. No entanto, após este tipo de cirurgias as pessoas devem seguir uma alimentação equilibrada e moderada para toda a vida, caso contrário os quilos perdidos provavelmente voltam a aparecer.
A medicina alternativa, nas suas mais diversas especialidades, propõe também alguns tratamentos complementares aos da medicina tradicional. Por exemplo, a acupunctura estimula diversos pontos do estômago, coração, baço e pulmões com o objectivo de reduzir o apetite. A medicina ayurvédica defende uma dieta especial e um programa de perda de peso. Por sua vez, a homeopatia propõe a utilização de alguns remédios específicos de acordo com o tipo e causas da obesidade.
A hipnoterapia também propõe um tratamento complementar. Se a obesidade tiver causas emocionais (o subconsciente prefere o excesso de peso por segurança), o que acontece com alguma frequência, a mente pode ser reprogramada para perder o desejo por certos alimentos e comida em excesso. Este tratamento apoia-se na terapia, programação neurolinguística, cura hipnótica e regressão.
As arterapias são igualmente formas de tentar diminuir o peso. A dança, a música ou a representação permitem praticar exercício físico, o que aumenta o metabolismo e proporciona um aumento de auto-estima e bem-estar. Isto diminui, evidentemente, os problemas psicológicos ligados à doença.
Os exercícios de tai chi ajudam a modelar o corpo e permitem uma sensação de equilíbrio que leva à diminuição da ingestão excessiva de alimentos.
Outro tratamento sugerido é o treino autogénico, que melhora a atitude face à imagem do próprio corpo e reforça a vontade de alterar os hábitos alimentares. Também no caso da obesidade estar relacionada com o stress ou ser de origem hormonal a terapia auricular pode ser útil.
De forma a evitar a obesidade ou para eliminar alguns quilos que já pesam no corpo, há ainda que ter em conta algumas regras alimentares, defendidas pela maioria dos nutricionistas. Os intervalos longos entre as refeições devem ser evitados: é preferível fazer 5 ou 6 refeições mais pequenas do que apenas 2 ou 3 com ingestão de grande quantidade de alimentos. Também convém reduzir consideravelmente o consumo de pratos pré-confeccionados ou de fast food, devido aos aditivos e ao excesso de gorduras de má qualidade que contêm. Os doces e outros produtos com açúcar de absorção rápida devem igualmente ser consumidos moderadamente. É ainda conveniente evitar o consumo de carnes, principalmente vermelhas (porco e vaca). Também o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e de refrigerantes deve ser controlado. É igualmente aconselhável evitar os fritos, as gorduras de origem animal e os molhos.
Por outro lado, há toda a conveniência em aumentar o consumo de frutas e vegetais. Também o consumo de sopa é importante devido à sua função reguladora do apetite e da digestão. Igualmente a ingestão regular de cereais e farináceos contribui para controlar a saciedade. Recomenda-se também que se substitua o sal da comida por ervas aromáticas (coentros, salsa, orégãos, tomilho, etc.); o açúcar ou os adoçantes sintéticos pelos naturais (melaço, frutose, mel, compotas, etc.) e os óleos e manteigas, respectivamente, pelo azeite ou manteiga de amendoim. Outro aspecto importante é mastigar bem os alimentos e tomar as refeições calmamente.
Para aqueles que têm alguma dificuldade em seguir uma alimentação regrada ou que têm dúvidas de como fazê-la da melhor forma, o recurso ao apoio de nutricionistas ou dietistas pode ser uma boa ideia.
Desde a infância, uma educação para uma alimentação saudável é, pois, um factor de extrema importância para diminuir a incidência de casos de obesidade e as suas consequências.


Referências:

Enciclopédia Medicina alternativa (suplemento Diário de Notícias), pág. 252
Revista Quo n°83, Agosto 2002, págs. 44-49
http://saude.sapo.pt/gc/353795.html

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Inserido em: 2003.09.28 Última actualização: 1999.11.29

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